Confesso que presentifico meu
estado de espírito numa relação de busca. Não sei quando irei te
encontrar, e o engraçado de tudo isso é que nenhuma circunstância
te traz pra mim. Não te vejo perto de mim, não te sinto , não te
ouço... nada há que me faça conquistar seu coração. Sozinho ainda
trilho meu caminho, e minhas mãos vagam no espaço vazio de minha
procura, tentando tocar mais que sonhos palpáveis... tentando
segurar algo que não tenho, tentando acariciar você.
E eu minto nessa irônica e
mágica vontade de estar sozinho. Eu astro rei que giro em torno de
mim mesmo... buscando uma constelação que traga ao menos a cor do
brilho de teus olhos, que se perdem nos meus, que se fecham nos
meus, que choram, que miram o horizonte e o céu... e perdem-se na
imensidão tresloucada de tua imagem. Eu que tanto te quero, eu que
tanto te busco, eu que tanto te desejo. Eu, que tanto me nego!
Descrevo meus sonhos na loucura que me encontro, e nesses
desencontros perco-me.
E nesse momento em que eu te
encontrar, quero silenciar minha voz. Quero descobrir a tua
cumplicidade e me refugiar em teus segredos... Acordar junto de teu
corpo, e te amar sem a pressa cotidiana dos meros mortais. Você e
eu, seres que unificam a existência, e materializam o amor, o ego e
o desejo, numa aliança de sentidos, onde nossos corpos são a
extensão de nossos próprios espíritos. E minha busca contínua e
surreal, quase me fazem chamar teu nome, no desenrolar destas
palavras... Palavras para ninguém!
Ronaldo Aragão - (19/07/2011)
Comentários